07/02/2013

Reprodução integral de um artigo de autoria de Henrique Antunes Ferreira, reformado, ex-director do Diário de Notícias, no seu blog A minha Travessa do Ferreira, após um período de doença e a quem desejamos um bom restabelecimento para o prazer de continuarmos a lê-lo. Ainda bem que mesmo depois de se reformar não conseguiu largar a pena, o lápis, a caneta, a esferográfica ou lá com o que escreva, provavelmente apenas o teclado, e continua a provar-nos a diferença entre um jornalista de mérito e a generalidade dos pedantes manipuladores de notícias distorcidas que hoje fabricam a opinião e desinformam os portugueses em conluio com a corrupção política de que o José Gomes Ferreira é o exemplo primeiro, mas não único.

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NEM ME DIGAS

Cama, mesa e roupa lavada

O homem enfiou o capuz da parka que já conhecera muito melhores dias. Fazia um frio danado, mas também o sentia por dentro. E fome. Maldita vida aquela. Vá lá que nas traseiras de uma loja de eletrodomésticos conseguira surripiar uma embalagem de frigorífico para lhe servir de cama. Eram difíceis os tempos de crise. Mas também encontrara  uns plásticos para se cobrir da chuva que ameaçava engrossar. Com a manta velha, de retalhos, a abem ver não era manta era uma coisa puída para se tapar. Com uns jornais velhos, sempre ficaria um pouco mais quentinho, mais quentinho, uma merda, mas que o deixaria, sem sentir tanto a frialdade exterior. A interior não havia édredon que a eliminasse.

Tinha dois ou três restaurantes que lhe davam as sobras do que os comensais deixavam nos pratos, mas não era suficiente, por isso a fome que se lhe entranhara no corpo, pequeno-almoço não se safava, almoço, nicles e jantar só as tais sobras. Mas os gajos dos restaurantes já começavam e corrê-lo, este marmanjo vem aqui comer todas as noites, e mandavam-lhe trabalhar que o trabalho por mais sujo que fosse não matava ninguém. Já tentara ser dos lixeiros que andam de noite nas camionetas para apanhar o lixo, mas não tinha ninguém para meter uma cunha na Câmara Municipal e estava feito.

Fernando Ulrich
Aquele filho da puta daquele banqueiro que vira num aparelho de televisão na tal loja de artigos elétricos, ouvira e vira ele com os olhos e os ouvidos que a terra havia de comer, que os Portugueses aguentavam mais austeridade, dizia o malandro ai aguentam, aguentam. E logo uns dias depois dizia que se os sem- abrigo aguentavam por que não haviam de aguentar os outros. O nome do banqueiro que devia ganhar uns bons milhares de euros por mês, chorudos prémios anuais era Fernando Ulrich. Se houvesse em Portugal um novo Buiça – o tipo que matara o rei D. Carlos e o príncipe sucessor D. Luís Filipe, era excelente, dava cabo dele só com um tirito…

Aliás, como diria o Raul Solnado, punham-se em fila indiana o Presidente da República, Cavaco Silva, o primeiro-ministro Passos Coelho, outro ministro, o Miguel Relvas, que se intitulava doutor e que tinha o curso universitário fazendo uma só cadeira, mas que tinha muita experiência (?) política (?) e o Vítor Gaspar, o ministro das Finanças e com uma só bala dava-se cabo desses todos. Uma bala com um cordel, que se puxaria depois de cumprida a sua missão e podia servir para outros. Era uma economia.

E por economia, também devia estar em nova fila o Álvaro Santos Pereira, ministro justamente da economia e outras especialidades. E mais alguns governantes deste (des)Governo que diz que nos (des)governa), que depois dos do Salazar e do Marcelo Caetano, era o pior que nos calhou na rifa. Mas o que é facto é que foram eleitos pelos Portugueses, mas por mim não foram nenhum deles, comentários que o autor, mesmo sendo contra a violência, subscreve completamente… Com tudo isto já se desviou o escrevinhador do personagem desta croniqueta que dormia num passeio qualquer, de preferência debaixo da soleira de porta de prédio.

Vítor Gaspar
Logo que o tal ministro das Finanças começara a roubar os Portugas, já no ano anterior, correra uma anedota natalícia: dos três  magos que tinham ido visitar o bebé Jesus, o Melchior levava ouro e incenso, o Baltazar prata e mirra e o Gaspar roubava tudo. Boa, bem tirada. Repete-se e completa-se : roubos à mão (des)armada. Lemram-se?, o Salazar também começara como ministro das Finanças, e, com falinhas mansas, lixara o general Domingos de Oliveira que era o primeiro-ministro e depois foi o que se viu: quase 50 anos de ditadura com Censura, PIDE, a polícia política, campos de concentração como o Tarrafal e outras brincadolhices.

De resto, o atual chefe (?) do (des)Governo, o Passos Coelho que se pusesse a pau com o Gaspar e o com o dos Negócios Estrangeiros, o Paulo Portas que é gajinho para o empurrar pela escada abaixo. Dos coscuvilheiros, invertidos e de sorrisinhos a peixeiras e correlativos em campanha eleitoral, é o diabo, olá se é… Mau, voltou o escriba a descarrilar, meia-volta volver, em frente marche. O sem-abrigo desta estória, andava com um vazio gástrico que não sei se vos diga, se vos conte. Os restaurantes – nada; porque tinham menos fregueses e porque o IVA aumentara desmesuradamente (bem como todos os outros impostos para o proletariado) e porque  por isso faziam menos comida, porque era a crise e etc. e tal. Logo, nada de sobras, vai comer noutro sítio.

Numa alegre confraternização
Ora, lá se diz que cada come onde lhe apetece. Quando fora mobilizado para Angola, uma noite o oficial de dia, que na verdade deveria ser chamado oficial de noite, ao passar revista noturna às casernas, dera com um soldado preto todo nu em cima de outro soldado, este último branco também em pelota, numa alegre confraternização. Lanterna em cima dos comparsas muitíssimo camaradas chegados, bateu o alferes miliciano no ombro do de cima, que não sabendo que era o oficial, respondeu você tens nada com isso! A cu é teu?! Claro que deu uma bronca de se lhe tirar o bivaque, que é como se chama ao chapéu na tropa. Auto, cadeia, trinta por uma linha.

Esfomeado, resolveu entrar numa padaria e à socapa gamar uma carcaça. O padeiro agarrou-o, seu sacana de ladrão, chamou o polícia que o levou para a esquadra. Onde disse ao chefe que por subtrair um pão era um gatuno, roubara; se fosse um banqueiro, um administrador ou outro importante que metera ao bolso uns milhões por falcatruas diversas tratava-se apenas de um desvio, com advogados aos montes que de recurso em recurso levavam o processo à prescrição. A ele meteram-no na choça depois de levar umas valentes chapadas. É a vida, comentara o guarda, umas galhetas nas trombas nunca fizeram mal a ninguém.

Bem vistas as coisas, lá lhe levaram um almoço, ainda que sem grande qualidade, e depois de o ouvirem em auto, ofereceram-lhe uma graciosa pulseira eletrónica para usar no tornozelo e foi avisado que depois no tribunal daí a uns dias o juiz lhe daria a correspondente correção. Já um homem não pode levar um papo-seco para enganar o intestino sem consequências dessas.

À noite, quando se deitara debaixo de um portal de um banco, por acaso uma agência do BPI, o tal senhor Ulrich vinha a sair para entrar num mercedes do último modelo, o banqueiro dissera ao motorista que lhe desse um euro e que lhe dissesse que no dia seguinte não queria lá vê-lo, senão chamaria um polícia e… E o nosso personagem ficou todo contente, deixou-se quedar ali, até pediu um cigarrinho por amor de Deus a um senhor que passava, marimbando-se para o cabrão que dissera, ai aguenta, aguenta.

Este chegou e viu o Abílio Fernandes Martins deitado no seu leito de cartão, com uma mini beata nos lábios, olhou-o de viés e mandou o porteiro que viera abrir-lhe a entrada, para chamar a polícia a fim de tirar aquele fulano dali. Já no seu gabinete todo em mogno e carvalho, maples e cadeirões, alcatifa, quadros de autores caros, sedas e brocados, sentou-se à sua secretária de estilo, premiu o botão do intercomunicador e ordenou ao seu chefe de gabinete que ligasse imediatamente ao Comandante-geral da Polícia, ouça, caro amigo, tenho aqui à porta do banco um malandro que quis gozar comigo. Mande prendê-lo e diga ao juiz do Sumário que lhe dê uns 15 dias por vadiagem e invasão de propriedade e espaço público.

Meu dito, meu feito. O antigo soldado 187945/65, que combatera em Angola e tinha um pulmão a menos, por mor de um tiro do inimigo, na altura um turra, foi para a esquadra sem oferecer resistência. Logo de seguida um auto feito à pressa e um julgamento foguete: ou 15 dias de prisão, ou multa no valor de 2.879,26 euros. Tinha um euro no bolso era o seu pecúlio. Poderia, depois ir deposita-lo no banco em causa… Agradeceu ao meritíssimo magistrado, que ficou de olho à banda com tal afirmação, À você ainda goza? Ora tome lá: 21 dias de prisão não remíveis!

Quando deu entrada na cela a Penitenciária para cumprir a pena, o guarda prisional que antes era chamado carcereiro, saíste-me uma boa rês e ainda por cima tentaste achincalhar o senhor Juiz. Abílio fez um sorrisinho sonso, não respondeu, mas falou para ele próprio sem abrir a boca: Porra, finalmente ia ter três semanas à boa vida com teto, cama, mesa e roupa lavada. E, se calhar a Fernandinha da Meia-laranja ainda lhe levaria um macito de cigarros. De cigarrilhas, não, eram muito caras.

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Comentário parcial do autor, também transcrito deste artigo do seu blog.

Conto, mais uma vez com a vossa compreensão, amabilidade, paciência e, sobretudo A vossa Amizade. Um bem-haja a todas e todos, muita saúde, paz e capacidade de lutar pela Verdade - que estes lacaios da troica e do poder económico conspurcam quotidianamente.

Alegando transparência, escudam-se na escuridão em que vivem; mentem com quantos dentes (cariados) que têm na boca. Sabem que estão a amortalhar o Povo Português e que estão errados e não querem reconhecê-lo.Praticam a engenharia (?) financeira e mentem nos números que dão.

São um arremede de ditadores de pacotilha e têm quem lhes dê «boa» informação, muitas vezes paga. São, portanto desonestos, apoiados pelas organizações e países e governantes que os dominam. Fazem todos parte da mesma máfia internacional, dizem-se neo-liberais e são prepotentes, arrogantes e espertalhaços, desde Belém a São Bento e etc.

Os que estavam antes eram mentirosos, corruptos e falcatrueiros, mas não dizem que foi o Cavaco Silva, da mesma seita laranja, que, quando primeiro-ministro e com dinheiro «dado» pela então CEE, pagou aos que arrancassem oliveiras, sobreiros e vinhas, mas agora diz que os Portugueses devem dedicar-se à agricultura. Pagou, com os dinheiros da da mesma origem para os que afundassem a frota pesqueira nacional e agora roga que se pratique a agricultura e a pesca para ajudarem a saída da «crise» que ele próprio começou a criar.

Enfim, sobem os impostos de todos, incluindo os reformados, e e assim diminuem os salários, aumentam os preços da energia, da água, dos transportes e até do pão, e tudo para restaurar a confiança dos chamados «mercados» a quem prestam vassalagem. Resumindo: estão a dar cabo de Portugal...

Mas não me calam a voz, nem me roubam o computador, o monitor, o teclado e o rato. (Ainda) não me mandam para campos de «reeducação» que o mesmo é dizer de concentração. Não me tirarão o direito à Liberdade e à Democracia.

Porque eu não os deixo vegar-me, nem me vergarão; se a PIDE mascarada de DGS não me eliminaram não estes cretinos que o farão. Porque não tenho medo deles, ainda que suspeite que os «informadores» andam por aí. Ainda não há delitos de opinião mas compram muitos ditos comentadores, opinion makers e jornalistas da nossa praça.

Não tenho medo deles, ainda que não seja um herói.Mas não deixarei de praticar mais vilanias.

Nasci assim, tenho vivido assim e morerei assim. Nunca me vendi nem recebi por baixo da mesa, nem fiz trocas de influências, nem corrompi ninguém, nem me deixei corromper. Nunca.

Qjs & abraços

Henrique Antunes Ferreira, BI 13697-6 e contribuinte 108418812. Para que conste

7 de Fevereiro de 2013 à0 01:21

01/02/2013

Governo Controla RTP Abertamente

O governo passou a controlar a RTP para impedir a reestruturação política e manter o domínio da corrupção sobre o país, usando o conhecido método da grilheta mental das oligarquias e ditaduras modernas, mas mão novo.

Depois do que até agora se tem observado, não parece ser novidade que não se inscreva nas linhas directivas deste governo, que supera todos os desejos dos seus precedentes neste mesmo sentido de dominar a opinião, ainda menos de admirar estando-se ao corrente do nojo antidemocrático, celerado e obscenamente ordinário que é o Corta Relvas, mais um doutor ao estilo nacional, cujo enriquecimento é mantido sob mais estrito sigilo. Quando alguém deste calibre chega ao poder, o país está a bater no fundo. Por demais com um primeiro-ministro com uma condenação do Tribunal Criminal de Évora em cima e duas mãos cheias de processos em investigação, agora abafados, claro.

Já muitos se questionavam sobre o caso do director de desinformação da RTP, que pela falta de seguimento parece ter sido encoberto após um pequeno vulcão. Não se sabe mesmo se o subornaram para se calar. Numa pseudodemocracia oligárquica mascarada de democracia, todas as suposições sobre as manigâncias da corrupção destinadas a enganar o povo têm lugar legítimo.

Assim, a RTP, dominada pelo governo, iniciou há algum tempo uma pressão insidiosa sobre a opinião geral nacional. Seria desnecessário, a ponto de se tornar ridículo, lembrar aqui que em caso de enfrentarem esta afirmação jurariam a pés juntos e com cruzes que isto é uma difamação ou um erro de apreciação e que tentariam provar à sua conveniência o já provado em sentido contrário.

A cobardia inata da maioria dos portugueses leva-os à resignação, para o bem e no interesse da ladroagem corrupta e incompetente, os carneiros acomodaram-se à crise em lugar de lutarem como os povos avançados. Se têm fome, roubam, mas aceitam a sua sorte com resignação e masoquismo. Os islandeses, neste caso seguiram um caminho oposto ao da desorientação revoltosa da Grécia ou ainda menos de Espanha, outro povo que continua no atraso secular já bem anterior aos miseráveis reis genocidas, Fernando e Isabel, que passavam os invernos a tiritar de frio nos seus castelos de pedra nua e desprovidos dos confortos elementares dos senhores da época.

Apoiando-se neste atraso e cobardia nacionais, que a corrupção promove e explora, que com eles lucra e enriquece, empobrecendo o povo, a RTP, por inspiração governamental, resolveu levantar os ânimos e inspirar uma muito salutar auto-estima. Começou por se auto-elogiar. Que ousadia só possível por os telespectadores serem apáticos, incapazes de reflectir e tudo engolirem sem líquido. Como se trata dum caso de afronto publicitário, a primeira reacção duma pessoa normal é de tomar a ousadia por aquilo que na verdade é: uma impostura monstruosa. Sobretudo por a sua auto-publicidade nos querer fazer acreditar que eles não manipulam as informações, que não nos desinformam como o têm feito nem nos mantiveram deliberadamente na ignorância, escondendo-nos o modo como vivem os povos democráticos e dominam os seus políticos (assunto jamais devidamente abordado, pelo que quase ninguém cá conhece) e evitando comparações desastrosas para os governantes incompetentes e corruptos. Clamam ser o que não são, pelo que ao inverso daquilo que bradam, não merecem um mínimo de confiança; é como se caracteriza tal tipo de publicidade e o embuste que realmente significa.

Paralelamente, têm há algum tempo seguido outro método que ultimamente empolaram: inchar os pobres cobardes com uma auto-estima que só pode ser resultado num orgulho em se ser ignorante e atrasado, incapaz de gerir a sua própria vida, lorpa que se toma por vivo e inteligente mas que cai em todos os logros políticos e publicitários. Enfim, exactamente aquilo pelo que os povos mais avançados nos conhecem. Aquilo que, evidentemente, não vão declarar quando esses parlapatões lhes perguntam a opinião sobre os portugueses. Nenhuma televisão faz essas perguntas a estrangeiros porque já se sabe que as respostas nada teriam a ver com o que eles pensassem e que são geralmente o contrário, mas que em Portugal é frequente ouvir-se por o povo ser incapaz de compreender a realidade – enganam-nos e gozam-nos descaradamente e querem que confiemos neles.

Para tanto, falam-nos ainda das tradições que eles mesmos têm destruído, substituindo-as por outra que inventam, como a do bacalhau como prato nacional das festas de Natal e Ano Novo, uma barbaridade em que grande parte dos mentecaptos acabaram por acreditar. A todo o momento falam em «cumprir as tradições» por eles mesmos as arruinarem e não as cumprirem. Vêm agora com programas velhos, alguns do tempo do Estado Novo, que esconderam durante décadas para que os esquecêssemos, alguns sobre procedimentos e modos civilizados que condenaram.

Porquê?