25/11/2011

As Greves Justas e os Oportunistas

Não se pode nadar na estrumeira para onde a roubalheira, a corrupção e a impunidade nos atiraram sem reclamar. As greves têm razão de ser. Sobretudo quando um governo se aproveita da ocasião parra aprofundar um fosse já único na Europa pelo seu tamanho. Porém, nem todos os grevistas tem razão de fazer greve.

Com o salário mínimo mais baixo da UE, é injusto diminuí-lo ainda mais. No entanto, caso seja imprescindível, são os que mais têm quem mais deve contribuir. Sobretudo aqueles que mais cooperaram para o estado de desgraça. É exemplo que os que nos roubam impunemente não dão. Daí, talvez, que tantos aceitem greves absurdas sem se darem conta de que nem todas as razões são razão. Algumas são mesmo ultrajantes, camufladas e falsas, em que os grevistas seguem os exemplos dos culpados.

Os ferroviários e maioria do que trabalham nos transportes, por exemplo, usufruem de autênticas mordomias que, ainda que os valores sejam num grau bastante inferior, comparam-se às dos corruptos e ladrões que nas governam, relativamente à restante população.

Em cima dos salários, os ferroviários da CP, se fizerem o especial favor de cumprirem o seu contrato de trabalho e não faltarem um só dia num mês, apenas por isso recebem um subsídio de €230, mensal, evidentemente. Os maquinistas usufruem dum subsídio por quilómetro, como se a sua profissão não fosse a de percorrer quilómetros. Se num mês faltarem menos de 5 horas ao trabalho têm mais um subsídio de €68. Se no mês que se segue não tiverem uma falta, têm mais outro subsídio de €223. Os prémios por fazerem o favor de se apresentarem ao trabalho chegam a atingir os €6 diários, ao qual se acumula um outro anual.

No Metropolitano de Lisboa e na Carris têm 30 dias de férias. Nestas e ainda na Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, SA (S.T.C.P.), têm subsídio de reforma que a nivela com o último salário recebido. As reformas nestas companhias estendem-se para bem além dos €5.000 sem perda desse subsídio. Com baixa por doença, em cima do subsídio relativo ainda lhes é oferecido um complemento.

Estes grevistas, no activo ou reformados, com suas famílias e parentes próximos viajam de graça na maioria das empresas de transportes. Como revelado, para satisfazer esta única mordomia só a REFER gasta mais de M€4 por ano. Juntem-se-lhes os subsídios, prémios e outras mordomias dos directores e dirigentes, os desvios para as contas privadas, etc., e não será difícil de adivinhar uma das causas dos buracos nas empresas de transportes. Quando se conhece (escondido pela jornaleiragem imunda em benefício da corrupção) que em todos os países há décadas que os transportes públicos dão prejuízo e são subsidiados, compreende-se que se neles há buracos, em Portugal há uma fossa descomunal.

São estes os que fazem as maiores greves e que mais afectam a vida de toda a população. Querem que lhes paguemos todas as exigências de roubo absurdo. Todos os prejuízos que eles causam nos saem do bolso, mas querem que não se lhes toque e exigem ainda mais.

O impostor e aldrabão, incompetente e anti-sociedade do ministro da economia, cujas medidas e decisões até agora tomadas são abertamente anti-sociais, em conjunto com o sonso vigarista do seu colega das finanças têm aumentado o já maior fosso europeu entre ricos e pobres, cortando os auxílios aos que menos têm e assassinando-os ao fecharem os serviços de saúde, enquanto permitem aos que mais têm a continuar alegremente os seus roubos e injustificáveis mordomias por a quem o povo parvo permite que ser crucificado.

Nenhum dos ladrões, vigaristas e corruptos do actual governo acaba com a roubalheira e as mordomias, com os parasitas partidários, com a impunidade, com a irresponsabilidade. Todos dizem ámen ao primeiro-ministro quando ele mente descaradamente, papagueando que os sacrifícios são a dividir por todos, mas todos eles aumentam cada vez mais esse fosso entre ricos e pobres. Um que aparenta tentar fazer algo de útil é o da Segurança Social, mas por muito que faça é-lhe impossível de curar as feridas dos tiros com que o governo em geral atinge o grosso da população.

O estado em que o país se encontra foi o resultado da destruição cavaqueira junta á contínua má administração, roubos e mordomias. O outro factor foi a falta de preparação e de modernização das empresas, extraviando e roubando os fundos europeus a elas destinado, obra iniciada pelo Cavaco e continuada pelos governos que lhe sucederam. Que se responsabilizem, paguem e sejam julgados em tribunal. São eles os feitores da crise nacional agravada pela mundial. Em vez disso assistimos a isentarem-se de contribuir para remediar o mal que fizeram, continuando a sugar os carneiros.

Os governos criaram maus hábitos na população e obrigaram-na a estoirar o dinheiro do que não produziam. Não controlou o aluguer e renovação de habitações e incentivou à compra de casa, fazendo deste país de proletários aquele em que, mundialmente, uma muito maior percentagem mora em casa própria. Como podem os mais pobres possuir mais que os mais ricos? Ao contrário do que se passa nos países mais ricos, os miseráveis que não produzem habituaram-se a comprar, deitar fora e voltar a comprar novo. Isso só é possível em países como os EUA, que vivem parasitando e extorquindo os bens e os recursos naturais doutros países. Não aqui.

Diz o ordinário do Corta-Relvas que o país atravessa um período difícil por causa da má gestão e outros abusos dos fundos do estado, no passado. O stronzo (it.) toma a todos que o ouvem por amnésicos que já se tivessem esquecido de como ele nos roubou com as suas célebres viagens que pareciam excursões. Incrível que uma das maiores e mais autênticas bestas nacionais tenha sido nomeada ministro por um criminoso condenado pelo tribunal de Évora que jamais trabalhou na vida à parte os tachos que o partido lhe deu nos últimos anos (e em tão pouco tempo conseguiu a sua condenação), ele mesmo nomeado pelo maior criminoso nacional por ter destruído o tecido produtor da nação.

Quer ainda o Corta-Relvas que nos esqueçamos que ele e o outro ordinário do quarteto, que recusaram os subsídios de habitação – ladrões mascarados de honestos ao serem apanhados com a boca na botija –, fingiram arrepender-se. Quem é que acredita que os tivessem recusado se não tivessem sido denunciados? Afinal, não foram eles quem os pediu conscientemente? Quem é que acredita que o fizeram sem intenção? (Chucha aqui, que estavas inocente.) Quem os aprovou também não está isento de participação na corrupção e no roubo, roubo organizado, como salta aos olhos. Tal como a bécasse (fr.) que deu o BMW ao Mota Amaral e até este por o aceitar.

Queimem-nos todos! Vivos! Não são os seus crimes piores do que os condenados pela Inquisição dos castelhanos selvagens? Não são piores que pedófilos, pelos seus crimes contra uma população inteira e não contra uma ideia ou uma ou duas pessoas? São crimes contra a humanidade. Acabem com eles, ou serão eles quem acabará connosco. Ou eles ou nós, há que escolher.

Cortes a todos, proporcionais aos rendimentos, sim, que todos gastaram o dinheiro do país comprando sem produzir. Isentar os maiores culpados e que mais têm, enquanto os menores e que menos têm pagam por eles, não.

Em Portugal, 20% de parasitas vivem à custa de 80% da população. Enquanto isto durar mesmo as greves injustificadas se autojustificam como meio para atingir um fim.

Na sua generalidade, a população ainda não compreendeu algumas realidades básicas. Como se constata nos outros países, quanto maior for o controlo dos políticos pelo povo, menor é a corrupção e maior a democracia. Se em Portugal não existe qualquer tipo de controlo (votar não controla nada e apenas serve para mudar de máfia no poder – ora rouba uma seita, ora rouba outra), também só anestesiados podem acreditar, ou oportunistas interessados afirmarem que sim.


Ver artigo sobre os transportes no I Online de há pouco mais de um mês e meio. As pessoas, ou não lêem nem procuram informar-se ou se esquecem bem depressa.


Este e outros artigos também nos blogs do autor (1 e 2).

1 comentário:

A. João Soares disse...

A linguagem dura é compreensível porque é a melhor forma de exprimir o pensamento os sentimentos e as emoções do autor perante problema tão complexo. A todos os níveis nacionais, abundam os oportunistas que não têm o mínimo escrúpulo de lesar os interesses da maioria, dos sempre sacrificados.

A greve nos serviços públicos deviam ser bem ponderadas antes de decididas, como se vê em A greve é uma arma.

Aprecio a denúncia dos privilégios dos «trabalhadores» dos transportes públicos. Há total falta de vergonha nos abusos do dinheiro público.

Abraço
João