14/01/2012

O Abate dos Carneiros

O ministro Álvaro Pereira chegou com intensões bombásticas de investigar os actos do governo anterior que tinham contribuído para o aumento da desgraça nacional e que, segundo ele apregoa para os ingénuos ou bêbados, cegos, surdos e mudos, foi a única causa. O PSD chamou-lhe parvalhão e obrigou-o a calar-se. Porquê?

Realmente, o impostor nem raciocinou que se a sua ideia se concretizasse, logo os criminosos do PS trariam ao conhecimento geral os crimes e a contribuição para a miséria nacional muto maiores do PSD, que foi o que provocou a crise por o Cavaco ter desmantelado o país, aumentado os cargos dos parasitas partidários no governo em 51%, etc. Por demais, há ainda algumas memórias dos maiores roubos jamais perpetrados no país, em que governantes, militantes, apoiantes e familiares enriqueceram de um dia para o outro com os fundos de coesão da UE, roubados em lugar de serrem utilizados para preparar o país. Aliás, é esta a causa maior da miséria actual e que estimulou o desenvolvimento da corrupção geral que hoje se vive.

Há ainda quem pretenda fazer julgar o Sócrates pelos seus pequenos crimes esquecendo os maiores que ele cometeu. Erro de avaliação não só nisso, mas sobre outros pontos que tornam a ideia em mais um desvio no caminho certo e de que os próprios canalhas se aproveitem. Entre os muitos erros e inconvenientes, os seguintes são mais do que evidentes.

O Sócrates surgiu ao fim da miséria consumada. Nem mais nem menos. Um peixe oportunista que soube usar das artimanhas gerais das máfias corruptas em proveito próprio e do partido. Os seus crimes muito maiores e de que deveria realmente ser julgado, não são bem aqueles de que parolos e sectários o acusam, mas sobre tudo os que estão mencionados no Blog do Leão Pelado. Basta clicar.

É um erro incomensurável de cálculo e de senso pretender que uma tão profunda miséria se possa ter gerado nos poucos anos em que ele esteve no governo, pelo que se essa pretensão não for por erro crasso só pode ser motivada por partidarismo sectário, o que é o pior caminho a tomar. Este erro toma também a forma de crime por isentar implicitamente os verdadeiros culpados. Um crime maior do que aquele que se quer justiçar. Daí o partidarismo da ideia. Não é que ele não merecesse ser julgado, note-se, mas o caminho tomado está completamente errado, só pode ser por fanatismo político e vai no sentido de defender um partido contra outro quando nenhum deles é melhor, o diabo que escolha. É o melhor método escolhido por parolos e sectários para perpetuar o mal já tão enraizado

A possível condenação do Sócrates – com o sentido que se lhe quer dar e vista objectivamente – seria aproveitada pelas máfias oligárquicas para a transformarem num entrave de peso a juntar à real inexistência de democracia em Portugal.

Se o PSD apoiasse a directamente a perseguição do Sócrates, haveria pelo menos duas consequências graves. Uma seria para o próprio PSD ao o PS lhe apontar facilmente as verdadeiras causas da desgraça nacional, tão abafadas, mas de que muitos se recordam. A outra seria para agravar a falta de democracia no país. Ao darem um osso aos lobos (o povo esfomeado por justiça) evitariam que os lobos os comessem a todos, apoiando-se na já existente falsa ideia de que isto é uma democracia em que os políticos eram responsabilizados e julgados. Ridículo. Este acontecimento por si só, visto por um povo de parrecos desmiolados r ferrenhos sectários, evitaria que o único caminho para a democracia – o controlo dos políticos por um povo soberano – fosse barrado e o seu alcance mais hipotético do que nunca.

O ministro, afinal, não passa dum hipócrita faccioso, mas parvalhote. Ou então um desses impostores disfarçados de democratas que impedem que se escrevam comentários nos seus sites ou blogs contra as suas ideias em lugar de as debater (o que não parece que ele fizesse no seu blog pessoal, diga-se em abono da verdade), ou que os apagam ou de outro modo controlam que esses tipos de comentários não apareçam mediante a dita «moderação». É o que se encontra frequentemente em blogs e sites de sequazes partidaristas. São eles os maiores contribuintes para a ignorância da verdade, espalhando a crença na mentira. Alguns serão revelados num futuro próximo e muitos se espantarão indevidamente por terem sido logrados sem o notarem enquanto outros protestarão, dizendo serem afirmações partidárias, como já aconteceu.

Até agora apenas alguns dos ladrões foram declarados. Só um está em julgamento, mas o número deles é incalculável por nele se poder contar a quase totalidade dos políticos. Os restantes continuam bem ocultos pelos dois partidos principais: «Tu não revelas os meus crimes e eu não revelo os teus». Um acordo táctico e tácito entre as corjas de ladrões contra a justiça e os interesses nacionais. Verdadeiramente lamentável que o Álvaro Pereira tenha sido calado pelos interesses antinacionais do seu partido. Muitos crimes – que todos sabemos existirem – seriam revelados de ambos os lados.

Temos agora uma vicissitude conjuntural em que alguns pontos – ainda que poucos – são comparáveis aos do tempo do Cavaco no governo. Um gráfico que o Álvaro Pereira publicou no seu blog mostra uma progressão dos juros da dívida pública (a que os merdosos jornaleiros pedantes entenderam alcunhar de soberana) entre 1989 e 1993 da mesma ordem da actual, ainda que a nível inferior.

Outra coincidência, Portugal está a receber dinheiro do exterior, em condições diferentes e desastrosas, mas recebe. O partido no governo é o mesmo do Cavaco. Observemos como mexem os cordelinhos das bolsas e como vão enriquecer, sobretudo com nomeações para cargos a que são atribuídos ordenados fantásticos. Entre eles não nos esqueçamos de vigiar de mais perto aquele que já provou ser ladrão crónico: o Relvas ordinário. Entrou para a política quase tão pelintra como um sem-abrigo e já tem uma grande empresa no Brasil. Em Novembro passado tornou-se público que estava a roubar o subsídio de habitação. Com alegações características dos vigaristas, desistiu, mas não reembolsou o que recebera, como agora é exigido aos demais cidadãos, pelo que o roubo não foi anulado e permaneceu. Os dois pesos e as duas medidas continuam de vento em poupa, mostrando a falsidade congénita do Coelho. O Relvas é um indivíduo a ter bem debaixo de olho, que só não roubará o que não puder, e não é o único.

As causas da miséria actual, evidentemente, são múltiplas, mas todas elas, sem excepção, tiveram a sua origem nos governos do Cavaco. Neste amplo sector, não há praticamente nada de mal neste país que não tenha aí a sua origem. A grande corrupção, o roubo, as mordomias dos políticos e os aumentos dos seus ganhos exagerados e exorbitantes (51%, decretou ele), as leis que lhes dão impunidade, as destruições do tecido industrial, da agricultura, das pescas, etc., etc. A política que tendeu a destruir o parque habitacional de aluguer e incentivar a população na compra de casa, que a arruinou. É o país em que uma maior percentagem de habitantes tem casa própria, mas que não produz para o justificar: esta combinação é impossível e mais cedo ou mais tarde estoira.

Basta nomear um qualquer problema deste âmbito e logo constatamos a sua origem, até o doutrinamento e a mentalização da população sob marketing político. Estes últimos incluem as lavagens cerebrais, o aproveitamento da imaturidade política dos portugueses e os correspondentes esforços sobrenaturais por eles utilizados para os manter nesse estado, convencendo-os de que têm maturidade.

Este caminho, e outros com consequências desastrosas semelhantes, foram aproveitados pelos governos seguintes para fazer circular grandes massas de dinheiro, dando a ilusória sensação de riqueza, enquanto na realidade afundava o país, que nunca produziu para poder pagar tais fantasias. Este procedimento levou a que os carneiros ignorantes consentissem, achando os pobres diabos que se lhes coubessem umas migalhas não faria mal que desfalcassem o país. Só que o país são esses próprios papalvos.

Não estamos na época dos descobrimentos, em que nos chagavam carregamentos de bens, nem na do grande comércio realizado com a política dos entrepostos comerciais portugueses através do mundo. (Há pulhas que vêm agora afirmar aos crentes e ignorantes que os descobrimentos foram emigrações de portugueses pobres. Que são eles senão canalhas a quererem reescrever a história num estilo idêntico ao do Rosas?) Hoje, para se poder conduzir uma tal política é necessário explorar e sacar os bens dos outros países num colonialismo moderno, seja depreciando-os para os obter a um valor abaixo da realidade ou apossando-se deles por guerras que obrigam os explorados a aceitar contratos de extorsão, como fazem os EUA e a França. Esta, logo ao início dos primeiros bombardeamentos pobre a Líbia, acordou com os revoltosos em ajudá-los a derrubar o Kadafi sob a condição de contrato de entrega do petróleo a baixo preço. E assim aconteceu…

Ora, como tais políticas e imposições internacionais não são possíveis a Portugal por razões óbvias, o país tem que suportar as suas necessidades mediante a produção, como outros países pequenos da Europa: Luxemburgo, Suíça, Suécia, Dinamarca, Noruega, etc. e ainda a Irlanda, onde os problemas foram de outra ordem. Outros caminhos conduzem ao estado actual.

Os governos seguintes continuaram na trilha iniciada pelos cavaquistas, já que só ganharam como isso, não lhes importando a miséria a que essa senda levaria o país. Não o iniciaram, mas por evidente conveniência consideram o assunto como mortos que não querem desenterrar. Daí o PSD ter posto uma rolha na comua do Álvaro Pereira.

É bem claro que as obras de destruição destes criminosos não poderiam ter sido tão fáceis aos políticos corruptos e ladrões sem a imprescindível ajuda da jornaleiragem que lhes limpa os escolhos do caminho, encobrindo-os e impingindo-nos historietas e coscuvilhices ou fabricando ou encenando notícias para embrutecer, resultados que têm alcançado com êxito neste conluio obsceno.

Os partidos nacionais são fraudes, bandos formados por f. da p. da pior escumalha que copiam os nomes de outros mais antigos, mas não os seus princípios. O PS é neoliberal e o PSD a pior corja de sacanas jamais vista. Para se saber o que é um partido Social Democrata, olhe-se para os países do centro da Europa e principalmente os do norte.

Leiam-se os discursos do Jean Ziegler (há vários excertos protestatórios no YouTube), um suíço que foi deputado (Conselheiro Nacional) Social Democrata no parlamento federal suíço (Conselho Nacional) e professor de sociologia nas universidades de Genebra (Suíça), Grenoble (França) e Sorbonne (Paris – França). Durante um ano foi parte da Comissão Consultiva dos Direitos Humanos das NU. É ainda membro do conselho consultivo da organização sem fins lucrativos Non-profit Controle Crime, organização que tem como alvo crimes de colarinho branco (crimes cometidos por pessoas que ocupam lugares de respeitabilidade e de alta estatura social durante os seus cargos); pessoa que faz imensa falta em Portugal, onde faria uma razia. É um verdadeiro Social Democrata que desmente as pretensões do bando de parasitas do partido português com o mesmo nome, um antro de ladrões que se alistaram no partido para viverem à conta do roubo impune e de cargos para que são incompetentes. Nojentos cabrões!

De realçar que estes sociais democratas são os herdeiros do verdadeiro socialismo europeu ocidental que nada tem de comum com o comunismo de leste, socialismo esse assassinado pelo PS português e escarnecido pela corja do PSD. Não passam de ladrões rascas, miseráveis parasitas.

Ao lermos em seguida o que escrevem os facciosos partidários portugueses somos obrigados a deduzir que têm mentalidade e sentimentos de ressuscitados da Idade da Pedra Lascada, super-vigaristas, idiotas, malandros, incivilizados, brutas bestas. Os partidos nacionais seguem as regras do banditismo político oportunista em que o poder é exercido por monstros envernizados, déspotas gananciosos apenas direccionados para a dominação e o enriquecimento ilícito. Direita e esquerda não passam de duas variantes da mesma história: uns sacam tudo aos que trabalham e os outros são presas de venais corruptos interesseiros que tudo destroçam.

Na sua generalidade, a população portuguesa ainda não compreendeu algumas realidades básicas. Como se constata nos outros países, quanto maior for o controlo dos políticos pelo povo, menor é a corrupção e maior a democracia. Se em Portugal não existe qualquer tipo de controlo (votar não controla nada e apenas serve para mudar de máfia no poder – ora rouba uma seita, ora rouba outra), também só anestesiados podem acreditar, ou oportunistas interessados afirmarem que sim.

A representatividade do povo pelos eleitos não passa duma miragem. Eles representam exclusivamente os interesses dos seus partidos e pronunciam-se unicamente de acordo com as instruções recebidas nesse sentido. Não votam segundo a sua consciência e muito menos segundo os desejos dos que os elegeram. Os partidos sugaram-lhes a consciência, daí os políticos não têm consciência. Votar num deles no noutro qualquer não faz diferença, só quem não compreenda o acredita. Os partidos insistem numa pseudodemocracia representativa porque um sistema sem o controlo dum povo que não é soberano lhes garante a hegemonia e a impunidade no roubo.

Após isto, os culpados directos do estado do país, que a crise mundial apenas agravou, pregam que os sacrifícios são a repartir por todos, mas fazem o contrário: só para uns e auto isentam-se. Continuam a oferecer automóveis. Mantêm todas as mordomias e quanto retiram qualquer uma mínima e de menor importância bradam a boa acção a plenos pulmões. O peso dos impostos é impossível a suportar. Tudo isto enquanto eles se exceptuam. O PSD reprovou o último PEC alegando que não concordava com aumentos de impostos e de sacrifícios para os portugueses. «O corte a partir de agora tem de ser na despesa, o que o governo não sabe fazer.» Estão a provar-nos a sua honestidade e a afirmar que sempre fazem o que dizem. Coerência, como diz o vigarista-mor, o cadastrado condenado pelo tribunal criminal de Évora, agora com pretensões a ilusionista. Mente como respira. Os estultos do costume que acreditem.

Acabe-se com eles de vez, antes que eles acabem connosco, o que já faltou mais, porque este inverno vai aquecer com muita gente sem comer e sem casa. No mês passado a miséria tinha aumentado em 2% desde Dezembro de 2010. Não é ainda mais que um preâmbulo.

E gozam hipócrita e maldosamente. Na sua alocução no encerramento do Congresso do Centenário do crédito Agrícola, o Cavaco teve o descaramento de dizer que se deveria repovoar o e que queria sublinhar a importância da agricultura portuguesa e doutras actividades em meio rural disporem de condições adequadas de financiamento para que possam aprofundar o seu processo de modernização e adaptação às exigências do nosso tempo. Ele, quem tudo isso destruiu! Os franceses diriam extasiados: Il faut vraiment avoir du culot!

Convidam-se os leitores a reflectir sobre um presidente que aconselha a «repartir os males pelas aldeias» e a afirmar que todos devem participar nas dificuldades financeiras do país e que em seguida promulga leis no sentido contrário. Maldito hipócrita que ninguém parece ainda ter compreendido que apoia integralmente todas as decisões do governo que tirem aos que menos têm para conservar o poder de compra dos que mais têm.

Termina o presente um extracto dum artigo anterior no blog da Mentira! O estrume eterniza-se em Portugal. A actualidade é igual ao passado das últimas décadas. Como o mal não é extirpado o velho continua actualidade.

O povo embrutecido continua a apoiar os seus carrascos, lambendo-lhes as mãos ensanguentadas que o degolam e dando-lhes toda a razão para procederem contra ele como se vê tão claramente. Defendem os «seus» partidos como os clubes no futebol, como se fossem a sua própria família, tão estupidamente que nem se dão conta que estão a aprovar os autores da sua desgraça e da sua miséria. Um povo assim vem comprovar o velho ditado que diz que «cada povo tem o governo que merece». Como não querem democracia, o que implicaria o povo ser soberano e controlar os políticos – evitando o roubo e a corrupção, assim como decisões contra a sua vontade e outros casos como o caos actual –, então porque se queixam? Porque não aguentam de pé firme a multiforme miséria em que se auto-enterraram e em que vão continuar a viver por assim o quererem? Continuem a aprovar, mas calem-se de uma vez com reclamações contra este ou contra aquele, quando a culpa é só de quem aprova, sua. Os parvalhões passam o tempo a apontar este ou aquele facto sobre este ou aquele ladrão político corrupto, como se desse modo pudessem obter alguma satisfação. Os estúpidos nem se dão conta de que é precisamente esse procedimento que os corruptos esperam deles. Não só se aliviam vociferando no ar como desse modo não passará disso. Os pobres pacóvios tomam comprimidos para as mesmas dores durante anos seguidos. Continuam a sofrer o mesmo, mas jamais erradicam a causa da dor. Poder-se-á ser mais estúpido?

Não vale a pena perder tempo em reclamar. Só há uma solução: cabresto e rédea curta, referendos e plebiscitos. Se não for as bem terá que ser a mal.

Este país é um paraíso para os ladrões de alta estirpe. Só os pilha-galinhas são presos. Alguém irá atirar com todos estes filhos da puta para a prisão?

Quando os mais pobres querem melhorar o seu estatuto votam num partido que vá buscar os impostos aos mais ricos para os ajudar a eles, o que aliás é uma norma democrática, embora paralelamente devam existir outras formas de nivelamento. Traídos pelo Sócrates, um neoliberal que tudo lixou, voltam-se para aqueles que tiram aos pobres para dar aos ricos. Não é a solução. É um duplo erro que será pago com lágrimas, suor e sangue.

O governo anterior caiu tal como sucedeu com outros seis na Europa (até à data) pela miséria infligida ao povo. A miséria dum qualquer povo faz cair qualquer governo. Pela mesma razão, este governo também cairá dentro em pouco, que nem durará metade do anterior. Que fará o povo, então? Será tão estúpido que irá votar nas mesmas oligarquias por elas apresentarem novas caras máscaras do mesmo monstro? Será tão estúpido que continue a apoiar os actos dos seus algozes? Que masoquismo, se continuar a repetir–se ao infinito.

A única solução é a de imitar os países democráticos, a de domesticar as bestas políticas corruptas e ladras, de as obrigar a prestar contas e pedir autorização ao povo antes de se tomarem decisões que afectem a nação inteira. Se eles não o tivessem feito estariam numa situação em tudo semelhante à nossa, em que os seus políticos procederiam também de modo idêntico ao dos nossos. Acabem com as lamúrias desorientadas, que nunca houve nem há outra solução.

«Quem morre porque quer não se lhe reza por alma.»
Pregar no deserto ou dar pérolas a porcos, o resultado é idêntico.


Este e outros artigos também nos blogs do autor (1 e 2).

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