07/04/2010

Irresponsabilidade da Justiça –
A Conhecida Justiça Corrupta


O jornalista Emídio Rangel reiterou hontem as acusações que fez no Parlamento, apesar de os visados - Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMM) e Associação Sindical dos Juízes (ASJ) - terem anunciado que o vão processar. [Jornal Público - Seguir o link para ler o artigo completo.]

É o cúmulo! Juízes calões – a deduzir das publicações do Eurostat que diz por ano não resolverem mais do que metade da média dos casos dos seus colegas europeus – formados em sindicato como os funcionários públicos, recusam responsabilidade pelo que lhes é pago em exagerados ordenados e privilégios inexistentes em qualquer estado democrático. Os arrogantes incapazes, altamente politizados e a quem cabe a maioria da culpa do miserável estado da justiça em Portugal, na qual só os políticos dizem acreditar devido à sua influência sobre os juízes corruptos, pretendem desresponsabilizar-se tal e qual como os políticos corruptos que ficam sempre impunes.

Os juízes são oficialmente os primeiros responsáveis pelo que se passa nas suas varas ou juízos. Se rejeitam esta responsabilidade, então que rejeitem os ordenados que para isso lhes é pago e que vão cavar batatas para as suas terreolas – livrar-se-ão, assim, de responsabilidades por que responder.

Porém, sendo como é, são eles os incontestáveis primeiros responsáveis pela divulgação de documentos processuais ocorridos dentro das fronteiras dos seus feudos.

Juntando-se sindicalmente em bando de cobardes, prometem processar Emídio Rangel por (como diz o ditado popular) lhes ter descoberto a careca. Juram processá-lo e exigir uma indemnização por os ter justamente acusado. Quem estará mais apto a fazer tais declarações profissionais do que o Rangel? É um verdadeiro jornalista conhecido pela sua comprovada integridade, não como tantos paspalhos aldrabões da sua profissão que por aí pululam e que degradaram um ofício outrora honroso.

Algumas perguntas nos surgem sobre estes acontecimentos. Iria o Rangel, homem experiente, aventurar-se avançando acusações no ar? Sem provas concretas? O futuro o dirá, mas não é de crer que seja tão ingénuo e desprevenido? Sobretudo tendo um irmão juiz, o qual possivelmente lhe teria falado em casos concretos de seu perfeito conhecimento.

Ao que assistimos não é mais do que mais um circo montado onde palhaços galhofeiros pretendem representar a seriedade. Que risota, que pouca vergonha dos juízes, que malandragem por todo o país, que fantochada de justiça em que se deixou de acreditar e que apenas serve para distribuir o nosso dinheiro por pantomineiros a quem se atribuem privilégios inexistentes em sistemas democráticos. Cuja profissão é, como se conhece, arruinar a vida das pessoas com o incompreensível arrastar dos processos, como os mandriões incapazes permitem, ou por sentenças e acórdãos irrazoáveis e em contradição com os factos.

Se o povo não toma conta dos políticos e a justiça não cumpre o seu dever de servir o mesmo povo, cada vez esta paródia que enche algibeiras a ladrões será mais aquilo que já é. Não se espere que eles se emendem – utopia – e ninguém nem nenhum santo virá modificar seja o que for. Se os portugueses continuarem a esperar e não o fizerem eles mesmos nada mudará. Apenas mezinhas para atirar areia aos olhos, enquanto por trás e na realidade tudo continuar na mesma.


Adenda

1. Foi finalmente conhecido o acórdão da condutora que matou peões numa passadeira do Terreiro do Paço, indo a cerca de 120Km/h. Trata-se dum crime pesado que em qualquer país civilizado é severamente punido. A cegueira da justiça revelada até hoje sobre casos de atropelamento mostra a sua desumanização e incompetência. O que se pergunta é se a justiça tem o direito de fazer dum caso comum (porque é um crime comum sem premeditação, como tratado em qualquer país civilizado) um exemplo? Será necessário um exemplo? De acordo com os Direitos Humanos, tem a justiça o direito de fazer exemplos dos réus em lugar de todos os julgamentos serem exemplares? Segundo se ouviu, a pena foi mais pesada por a criminosa não ter carpido rios de lágrimas. Teremos ouvido bem, que com um pouco de teatro a pena teria sido mais leve?

Um criminoso é um criminoso. A acção foi cometida e comprovada. Que porcaria de justiça é esta que pretende fazer exemplos de casos comuns e que se apoia em golpes teatrais para julgar? De certo que a defesa não contou com este tique dos juízes, senão teria montado a cena teatral apropriada.

2. Ainda sobre a corrupção, o a defesa dos tachos, o compadrio e as parcialidades de juízes e magistrados, vale a pena ver um comentário deixado no blog do autor, assim como o link lá indicado para um outro artigo no Correio da Manhã.

4 comentários:

A. João Soares disse...

Caro Mentiroso,

Um post oportuno, frontal e forte como é seu timbre. Seria bom que os visados o lessem e meditassem se, falsas vitimizações mas com propósito de melhorarem o seu desempenho de que toda a gente se queixa.

Também publiquei o post Justiça rápida e eficaz que, ao lado do seu, é redacção de catequista beato!

Um abraço
João

direitinho disse...

A justiça está tão podre que nem sei dizer mais nada.
Só os magistrados poderão e deverão trabalhar para limpar o seu bom nome fugindo dessas regras políticas que lhes impoem e os limitam.
Quem faz crimes deve pagar por eles.
Se não andassem a proteger tantos pedófilos e ladrões de gravata fina certamente que todo o sistema judicial andava nos "trinques"

Mentiroso disse...

Caros Amigos,

O que aqui está não é novidade. Quantas vezes não teremos ouvido os juízes reconhecerem que há fugas de segredos nos tribunais. DE sua responsabilidade, portanto, como no post. Porquê, então, todo este espalhafate e «Ai Jesus!» agora? Tentam convencer-nos de que o dinheiro que ganham não é suficiente para assumirem a responsabilidade dos seus feudos? Vão-se embora e deixem que gente responsável tome os seus lugares, já que eles se declaram incapazes.

Pulseira Electrónica disse...

Eu também concordo, e digo mais, porque é que estes senhores, sempre que se lhe propõe uma mudança de fundo no sistema judicial, adstrito ás suas funções, eles recusam e ameaçam com greves de zelo e outras que mais? Devem pensar que somos todos analfabetos, ou burros.

Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.

Abraços.

@Pulseira Electrónica
Fernando Marques